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Gestão de Amenização
de Tráfego e SociabilizaçãoArcata o exemplo americano


Arcata o Exemplo Americano de Traffic Calming

O envolvimento de associações secundárias no gerenciamento das ações comunitárias é uma característica das sociedades desenvolvimentistas, em contraponto à ótica do Estado paternalista típica de culturas subdesenvolvidas. Sob esse ponto de vista, a conquista da qualidade de vida é o fruto da ação coletiva e solidária, cabendo ao Estado acatar a vontade da população e garantir a manutenção de seu modo de vida, o respeito às suas conquistas e o suporte às suas iniciativas.

O texto a seguir, condensado e adaptado, foi extraído do artigo “O Enfoque da Força-tarefa de Cidadãos no Gerenciamento de Tráfego Viário Local”, por Brent C. Siemer, PE, e representa um exemplo bem acabado de ação comunitária responsável e comprometida, apoiada pelo Poder Público e seus órgãos gestores.privação dos direitos de circulação dos munícipes).

O Departamento de Obras Públicas da cidade de Arcata Califórnia fechou uma via coletora devido ao surgimento de problemas de instabilidade de encosta. O tráfego diário médio da via era de apenas 1.700 veículos. Assim, mudanças de rotas de tráfego e volumes nas ruas adjacentes mostravam-se insignificantes sob uma perspectiva de engenharia de tráfego.
O público geral, porém, teve uma percepção muito diferente. Para alguns moradores, o fechamento criou um tranqüilo cul-de-sac enquanto seus vizinhos experimentaram aumento significativo de tráfego, congestionamento e ruído.

Depois de sete audiências contenciosas, a Assembléia Municipal votou pelo fechamento permanentemente da rua, mas reconheceu a necessidade para mitigar os impactos adversos do fechamento. Para este fim, uma força-tarefa de cidadãos foi criada para determinar quais medidas de amenização de tráfego deveriam ser implementadas para um fechamento permanente.

Um conjunto de sessenta blocos de quadra da região central de Arcata foi identificada como área de estudo (área bastante mais abrangente que a região impactada).

A missão designada pela Assembléia para a força-tarefa era fazer recomendações que buscassem o equilíbrio entre um fluxo de tráfego eficiente e a qualidade de vida do bairro.

Os membros dessa força-tarefa não possuíam quaisquer noções de “traffic calming” ou de engenharia de tráfego, tendo sido treinados pelo pessoal do Departamento de Obras e Serviços Públicos nos 3 E's do gerenciamento de trânsito (Engineering, Education, Enforcement N.T.), engenharia de tráfego básica, conceitos e métodos de amenização de tráfego. Numerosas fontes foram utilizadas para produzir um didático e eficiente “manual do leigo”.
A força-tarefa foi composta por nove membros, alguns com opiniões extremamente divergentes. Eles, entretanto, puderam reduzir a percepção dos problemas ao seu tamanho real e desenvolveram, metodicamente, soluções de curto prazo e longo prazo.

As soluções de curto prazo envolveram manutenção e projetos de baixo custo. Já as soluções de longo prazo eram obviamente mais caras, envolvendo melhoramentos capitais e projetos mais elaborados e abrangentes. Este artigo documenta o processo para o qual foi criada e treinada essa força-tarefa de cidadãos e o processo utilizado para realizar seu objetivo.

Considerações

Arcata é uma cidade universitária localizada no norte do estado da Califórnia (EUA) possuindo uma população de 16.000 habitantes no aglomerado urbano central e de 126.000 na área do município (ver mapa de localização).

A Humboldt State University tem a principal influência na comunidade, com 10,000 pessoas no campus (7.500 estudantes e 2.500 funcionários, docentes e prestadores de serviços. Essa instituição representa o mais significativo pólo gerador de viagens motivado pelo trânsito de estudantes. Os estudantes dirigem freqüentemente de forma mais agressiva que os demais membros da comunidade. Dessa forma, os dispositivos de controle de tráfego devem ser igualmente agressivos e ostensivos, para se tornarem eficientes.

Uma via coletora, a 14 th Street conecta a porção ocidental da cidade com a rodovia US 101 e a universidade.

Em 1997, apresentava um tráfego médio de 1700 veículos/dia e proporcionava acesso direto para motoristas e caminhões de entrega. Tempestades de inverno em 1997 criaram problemas de instabilidade dos taludes, que forçaram o fechamento de um quarteirão dessa via. Nenhum desvio foi criado e os motoristas acharam o próprio modo de circular ao redor do fechamento. Sete por cento (7%) dos motoristas evitaram a área completamente e trinta-sete por cento (37%) começaram a usar a 11 th Street,, outra coletora de duas pistas, situada três quarteirões ao sul. Cinqüenta-seis por cento (56%) dos usuários, porém, correspondendo a 635 veículos / dia (média), simplesmente fez um loop de quarteirão pela 13 th Street para circunavegar o fechamento. Para alguns residentes, esse fechamento proveu um tranqüilo cul-de-sac. Já seus vizinhos viram aumentados tráfego, congestionamento e ruído na rota de atalho.

Os níveis de tráfego médio diário tinham saltado dramaticamente em 100 a 300%. A introdução do tráfego de caminhões também alavancou a ira daqueles moradores. Sob o ponto de vista da engenharia de tráfego, as mudanças em padrões circulação e volumes nas ruas adjacentes eram insignificantes. Claramente, as percepções públicas seriam consideradas inconsistentes e os métodos normais de engenharia de tráfego não trouxeram respostas adequadas.

A Assembléia Municipal convocou numerosas audiências públicas para discutir quatro opções para 14 th Street : (a) abri-la novamente para o tráfego bidirecional; (b) em mão-única no sentido leste; (c) em mão-única no sentido oeste e (d) fechamento total. Depois de vários contenciosos, o Conselho votou pelo fechamento, alegando o baixo custo da medida e a inexistência de pendências de faixa de domínio. Porém, o Conselho reconheceu a necessidade para mitigar os impactos adversos potenciais decorrentes do fechamento da via.

Em abril de 1998, a Assembléia Municipal de Arcata determinou ao Departamento de Obras e Serviços Públicos que desenvolvesse uma força-tarefa que identificasse os problemas de tráfego potenciais.

Era bastante óbvio que o fechamento da 14 th Street havia afetado o comportamento do tráfego em áreas bastante distantes da vizinhança. Isto ilustrou o fato de que a malha viária é um elemento dinâmico, onde intervenções em uma localidade influenciam o sistema viário como um todo. Isso também significaria, todavia, que a melhoria de circulação em uma localidade poderia beneficiar a cidade inteira. Técnicos do Departamento de Obras e Serviços Públicos determinaram que a área de estudo deveria incluir a área adjacente Alliance Road, US 101, a 11 th Street e a Sunset Avenue, uma faixa de sessenta quadras do centro de Arcata.

Âmbito de Autoridade

A Força-tarefa atuou como corpo de consultoria para a Assembléia Municipal em assuntos relativos a todos os problemas de tráfego na região compreendida pela área de estudo. Isso permitiu à força-tarefa avaliar problemas que tinham pouca ou nenhuma relação com o fechamento da 14 th Street. Sua função era revisar dados e estudos de tráfego e tecer recomendações para a Assembléia Municipal.

A meta primária da força-tarefa era alcançar o equilíbrio entre o fluxo de tráfego eficiente e a qualidade de vida da vizinhança.

Objetivos

A força-tarefa determinou-se vários objetivos para auxiliar o enfoque de seus esforços.
Os objetivos foram seguidos seqüencialmente:

(a) treinamento da força-tarefa nas técnicas pertinentes à engenharia e amenização de tráfego

(b) investigação, avaliação e estabelecimento de metas e necessidades da comunidade

(c) avaliação de volume de modais e dados de história de acidentes

(d) identificar os formadores de opinião dentro da área de estudo de estudo e determinar seus valores e itens relacionados

(e)definir que fatores representam uma comunidade de bairro adequadamente habitável segundo esses formadores de opinião.

(f) inventariar os fatores de qualidade de vida presentes e ausentes dentro da área de estudo.

(e) identificar premissas para uma malha viária eficiente na Cidade de Arcata.

(f) inventariar quais dentre essas premissas encontram-se contempladas ou não na área de estudo

(g) obter o consenso da comunidade nas ações realizáveis ou melhorias necessárias prover o equilíbrio entre uma malha eficiente e bairros habitáveis.
(h) desenvolver várias alternativas com avaliação de suas restrições econômicas e práticas e oportunidades

(i) seleção e recomendação para Assembléia Municipal do projeto selecionado
(j) dissolução da força-tarefa

A força-tarefa foi treinada primeiro nos 3-E's de gerenciamento de tráfego, conceitos básicos de engenharia de tráfego, e métodos de amenização de tráfego.

A força-tarefa decidiu organizar um encontro municipal para atrair os interessados da vizinhança e de toda a cidade.

(ADT) era obtido para quase todo link viário, incluindo os picos horários de viagens da manhã e tarde (PHT), em links intercalados.

Com recursos limitados, usou-se contadores de tubo para contagens volumétricas de ADT, e Contadores de prancheta manuais para as contagens de PHT. Os volumes médios de PHT foram calculados para os links onde utilizou-se os contadores de tubo.

Publicou-se notas no jornal semanal e entregues porta a porta. Coube ao Departamento de Obras e Serviços Públicos realizar intensivas contagens de em abril e maio de 1998, enquanto a Universidade e Escola Secundária estavam em aulas. Uma contagem de volume médio diário de tráfego (ADT) era obtido para quase todo link viário, incluindo os picos horários de viagens da manhã e tarde (PHT), em links intercalados.

Com recursos limitados, usou-se contadores de tubo para contagens volumétricas de ADT, e Contadores de prancheta manuais para as contagens de PHT. Os volumes médios de PHT foram calculados para os links onde utilizou-se os contadores de tubo.

Os dados de acidentes dos últimos três anos foram extraídos do banco de dados atual do órgão. Combinou-se esses dados com os dados de contagem de tráfego para calcular os acidentes por milhão de veículos em aproximação.

As telas dinâmicas foram apresentadas sobre plataforma GIS.

Determinados formadores de opinião foram convidados para reuniões subseqüentes. Estes incluíram a polícia, corpo de bombeiros, serviços de ambulâncias, serviços de coleta de lixo, serviço postal, departamento de trânsito da prefeitura, distrito de trânsito escolar e o clube de entregadores ciclistas.

Um representante de cada grupo descreveu suas necessidades de acesso pelo bairro proporcionaram muitas excelentes respostas à força-tarefa.

Muitos membros tinham preconcebido opções baseados em suposições inexatas. A informação provida pelos notáveis presentes deu início ao processo em que os pontos de vista polarizados começaram a encontrar seu meio-termo.

Decidiu-se, também, setorizar os diagnósticos e propostas em áreas de interesse específico, e a ferramenta metodológica mais adequada a cada situação. Ocasionalmente, algum membro sugeria “- Vamos colocar sinais de PARE em todo lugar !” ou “- Vamos sinalizar a cidade inteira com velocidade máxima de 25 milhas por hora !”

Com o passar do tempo, a própria força-tarefa se encarregaria de apontar àquele membro as falhas de sua “proposta”.

O Pessoal se tornou menos “professor” e mais moderador e fonte de pesquisa. Depois que foram identificadas soluções para cada local, a força-tarefa procurou a continuidade do processo para a sub-área inteira. Problemas da malha, como desvios de tráfego ou acessibilidade de emergência, foram identificados e as soluções foram reanalisadas.

Quando tudo as sub-áreas foram completamente analisadas, a área de estudo inteira foi reavaliada sob o enfoque sistêmico (de interconexões-NT).

Conclusões

O relatório final apresentado ao termo de 10 meses, revelou os esforços do grupo executivo para conceber soluções de boa relação custo-benefício. Quando a solução final poderia requerer um grande investimento financeiro, eles propunham uma ou duas alternativas de baixo custo para tentar primeiro. Vários projetos são facilmente implementáveis e de baixo custo. Caberia ao Departamento de Obras Públicas priorizar estes projetos e incorporá-los em seu programa de manutenção. Alguns dos projetos seriam incorporados como intervenções conciliatórias ao Projeto da 14th Street.

O Conselho votou pelo fechamento permanente da via.

Os projetos mais caros teriam provida dotação de verba. A Cidade de Arcata está em franca atualização de seu Plano Diretor, incluindo um novo viaduto. Antecipa-se que esses projetos caros serão incorporados à obra do viaduto, como medidas conciliatórias de crescimento.

Um Programa de Administração de Transportes priorizará e implementará esses projetos, na medida do crescimento da cidade, durante os próximos 20 anos. Os fundos serão derivados de taxas de desenvolvimento urbano a serem cobrados sobre novas construções na Cidade.”

Sobre o autor: Brent C. Siemer, PE,
formalmente o Engenheiro Assistente Municipal para a Cidade de Arcata, CA
Engenheiro Urbanista/ Diretor de Obras Públicas - Cidade de Eureka
531 K St. Eureka, CA 95501-1165,
bsiemer@eurekawebs.com
 

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