LOMBADAS
REDUTORAS DE VELOCIDADE
MÉTODOS CONSTRUTIVOS
(Instalação)
Autores:
Engº Ayrton Camanho SIN.UOC
Engº Nicolau Pizzolante Neto SIN.UOC
Engº Wilson Sugimoto SIN.UOC
Publicada em 1984 pela CET-SP
APRESENTAÇÃO
A
Sinalização SIN, desenvolve estudos, pesquisas, projetos e trabalhos, através da
sua unidade de Obras Civis SIN/UOC Bela Cintra, sobre materiais, técnicas
construtivas e funcionais de sistemas de controle e de regularização de tráfego, parte
de engenharia civil. Dentre outras, podemos destacar o sistema SEMCO Semáforos
Coordenados por Computador, o sistema SEMAT Semáforos Atuados pelo tráfego, o
prédio do CCTR Centro de Controle de Tráfego Bela Cintra, Sistema de
Deteção de Veículos Laços Detetores e Obstáculos Lombadas, sendo este último
o assunto desta Nota Técnica.
Este trabalho visa
apresentar alternativas de métodos construtivos de lombadas, tendo em visita um modo
rápido e preciso de implantação de tais dispositivos.
Procuramos com isso
proporcionar subsídios para que seja possível agilizar as suas implantações, e assim
tornar viável o atendimento das inúmeras solicitações desses elementos.
Foram analisados
métodos construtivos, considerando a implantação de um elemento singularmente, para
daí ser possível a extrapolação simples, para instalações múltiplas.
O método
construtivo por aplicação "in loco" de concreto de cimento portland, necessita
de dias corridos para ser concluído, e é o método em uso atualmente. O método
construtivo utilizando perfis pré-moldados em concreto, necessita de 4 horas, excluído
daí o tempo de execução dos pré-moldados.
A utilização de
concreto asfáltico, aplicado e compactado a quente, requer menos tempo de execução que
os dois anteriores, necessitando de apenas 2 horas para sua elaboração.
Esse último
método é o que nos parece ser mais indicado para ser utilizado nas instalações de
lombadas em São Paulo. Ressalvamos que melhores conclusões serão possíveis, assim que
pudermos fazer, a nível prático, algumas implantações.
INTRODUÇÃO
A necessidade
crescente de reduzir a velocidade de tráfego em algumas ruas residenciais, fez com que
surgissem vários meios para este fim. Uma possibilidade é a construção de lombadas ou
ondulações transversais às vias públicas.
Vários países tem se utilizado desse método,
dentre eles, a Inglaterra que através da "Transport and Road Research Laboratory
TRRL" , tem provavelmente executado a mais extensa pesquisa em lombadas
para redução de velocidade.
Utilizando-se de vários tipos de veículos, 15
diferentes tamanhos de lombadas que evoluíam desde 51 mm de largura por 13 mm de altura
até 3,66 m de largura por 0,10 m de altura, os ingleses concluíram que dentre os
elementos estudados, o ideal para reduzir velocidade é o de 3,66 m de largura por 0,10 m
de altura, baseados nas seguintes condições:
- Na velocidade projetada ou abaixo, deve ser possível a todos os
motoristas cruzarem a lombada sem danificar a carga ou o veículo, não perder o controle
e não sofrer desconfortos;
- Acima da velocidade projetada, o motorista deve sofrer um nível
crescente de desconforto, dependendo de quanto a velocidade de projeto é excedida;
- Aos motoristas que deliberadamente
cruzarem as lombadas em alta velocidade, deve ser possível manter o controle direcional
de seus veículos.
EXPERIÊNCIA EM SÃO PAULO
No período de Maio/79
a Dezembro/79, o DSV, através da CET, realizou uma série de experiências e testes
baseados nas pesquisas inglesas da TRRL. O local escolhido para a experiência foi a Rua
das Begônias no Bairro do Morumbi.
Foram testadas várias alturas de perfis, que
variam de 100 mm a 140 mm. A velocidade de projeto estipulada foi de 30 Km/h, e a exemplo
da experiência inglesa, a lombada que apresentou melhores resultado foi com altura de 100
mm.

(Clique na figura para vê-la maior)
Após estas experiências o CONTRAN
Conselho Nacional de Trânsito, baixou a resolução nº 567/80 em 12 de Dezembro de 1980,
que dispõe sobre a colocação de ondulações transversais nas vias públicas,
estabelecendo dois tipos de obstáculos, sendo o tipo I de 0,80 m a 1,50 m de largura por
0,08 a 0,10 m de altura para velocidade abaixo de 20 Km/h (vide fig. 1) e o tipo II de
3,70 m de largura por 0,10 m de altura para velocidade de 30 Km/h (vide fig. 2)

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CONSTRUÇÃO DE LOMBADAS
Os métodos usuais de construção de
lombadas são:
Concreto moldado "in
loco"
A construção é feita com
concreto usinado, lançado diretamente sobre o piso preparado.
A moldagem é manual, e para se obter o contorno desejado deve
ser utilizado um gabarito de madeira.
Para fixação no piso, abrem-se pequenas valas na capa
asfáltica de aproximadamente 50 cm de largura por 5 cm de profundidade (vide fig. 3)

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A Implantação É Feita Em Duas Etapas, correspondendo cada uma
½ pista. O tempo de implantação de cada etapa é de cerca de dois e meio, divididos da
seguinte forma:
- Remoção da capa asfáltica
- Entrega do concreto usinado (tempo de espera) ½ dia
- Moldagem
- Cura do concreto 2 dias
O tempo total para a implantação de um obstáculo é de cerca
de 5 dias, sendo
Equipamentos necessários:
- 1 caminhão
- 1 compressor com marteletes
Ferramentas:
- picaretas
- pás
- enxadas
- vassourão
- serrote
- desempenadeira de madeira
Materiais de construção:
- concreto usinado portland
- concreto asfáltico
Pessoal
- 1 encarregado
- 1 marceneiro
- 2 auxiliares de marceneiro
- 2 pedreiros
- 4 serventes
- "staff" de supervisão
Material Pré Moldados de Concreto
As lombadas são construídas em
secções de concreto pré-moldado de 0,6 m de largura e 2,6 m de comprimento, o restante
do perfil é completado em concreto asfáltico (vide fig.4)

(Clique na figura para vê-la maior)
A implantação é feita em duas de ½ pista cada uma, sendo
necessário para cada etapa cerca de 2 a 3 horas.
A colocação das peças deve ser feita com auxílio de um Munk,
devido ao peso de cada uma, que é de aproximadamente 300 Kg.
Para a acomodação das peças no piso asfáltico, deve ser
feita uma camada de regularização no local com argamassa à base de Bianco (Otto
Baugamart), que servirá também como adesivo.
Para a confecção dos perfis pré-moldados, é necessário uma
instalação (canteiro de obra) com betoneiras, mesa vibratória, formas de aço e uma
empilhadeira para 400 Kg, além de uma área em que as peças possam ser curadas e
guardadas.
Como para esse método não é necessário tempo de cura na
aplicação, a pista pode ser liberada imediatamente após o término de cada etapa.
Assim, o tempo total para a implantação de obstáculos
utilizando-se perfis pré-moldados em concreto é de cerca de 4 a 6 horas.
Equipamentos Necessários:
- 1 caminhão Munk
- 1 rolo compressor pequeno
Ferramentas:
- vassourão
- alavancas
- desempenadeira de madeira
Materiais de construção:
- perfis pré-moldados em concreto
- concreto asfáltico usinado
- Bianco da Otto Baumgart
- Areia
- Cimento portland
Pessoal:
- 1 encarregado
- 2 pedreiros
- 4 serventes
- "staff" de supervisão
Materiais de sinalização
diurna e noturna
Concreto Asfáltico Aplicado e Compactado à Quente
O concreto asfáltico deve ser
aplicado diretamente no piso após a pintura "primer", a uma temperatura de no
mínimo 125 ºC.
A compactação é feita com uma régua vibratória de 3,20 m de
comprimento da VidroDynapac e para se obter o contorno desejado é necessário um gabarito
de madeira ou metal, sobre o qual a régua vibratória deve deslizar (vide fig. 5)

Devido a variação na forma parabólica da
secção transversal da pista e parar obtermos uma tolerância de mais ou menos 1 cm de
altura do obstáculo, a implantação deve ser feita em três ou quatro etapas,
correspondendo a cada uma 1/3 ou 1/4 de pistas respectivamente.
O tempo de execução de cada etapa é de aproximadamente 1/2
hora, podendo ser liberado para o tráfego assim que o asfalto atingir uma temperatura
inferior à 60º C
O tempo de execução para a pista inteira é de 2 horas, mais 1
hora para que o asfalto esfrie.
Equipamentos necessários:
- 1 caminhão para transporte de concreto asfáltico a 160º C
- 1 caminhão para transporte de pessoal
- 1 régua vibratória Vibro Dynapac de 3,2 m de comprimento
Materiais de
construção
Ferramentas
Pessoal
- 1 encarregado
- 4 serventes
- 2 pedreiros
- 1 operador de régua vibratória
- "staff" de supervisão
Materiais de sinalização
diurna e noturna
CONCLUSÃO
Dos métodos construtivos analisados,
aquele que nos parece mais vantajoso para execução em larga escala, é o método que
utiliza concreto asfáltico compactado a quente.
Como vantagens, podemos citar, dentre outras:
- menor tempo de execução;
- pode ser liberado rapidamente ao tráfego pois não necessita
de tempo de cura, sendo necessário apenas que o asfalto atinja 60º C.
- acabamento preciso, com variação na altura de mais ou menos
1 cm;
- utiliza concreto asfáltico que é compatível com o leito
receptor e que também é normalmente produzido pela prefeitura (PMSP);
- o equipamento exigido é de baixo custo e de fácil operação
régua vibratória de Vibro Dynapac de 3,2 m de comprimento, preço em janeiro/84
de Cr$ 900.000,00. Querido(a) leitor(a) esta
nota técnica como voces vêem foi publicada nos idos anos oitenta, teremos que usar uma
tabela de conversão para hoje ou atualizar através de consulta as empresas do setor.
A utilização de concreto de cimento
Portland moldado "in loco", é aconselhado para poucas implantações, como por
exemplo em cidades do interior, pois necessita de poucos equipamentos e tem um custo
relativamente baixo.
A utilização de perfis pré moldados é, talvez, a solução
mais cara das aqui analisadas, pois necessita de uma infra-estrutura bem mais complexa
para a fabricação seriada dos perfis. Seu uso é aconselhado para instalações rápidas
e provisórias.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICAS
- BAGULEY C, - Speed Control humps; further public road trials.
Departament of Enviroment, 1981 (TRRL LR 1017)
- BOUCINHA Maria da Penha & KATO, Seiju Dispositivos de redução de
velocidade, obstáculos tipo lombada Norma de Projetos São Paulo, CET, 1980
- BRASIL. Conselho Regional de Trânsito Resoluções nº 567/80;
Colocação de ondulações transversais à vias públicas Brasilia, CONTRAM, 1980
- CLEMENT J.P. Speed hump and the thousand Oaks experience Ite Journal, 1983
- Companhia de Engenharia de Tráfego Dispositivos de redução de
velocidade; Síntese das experiências realizadas no período de 06 de maio a dezembro 79
São Paulo 1980
- SUMMER R. et allii Speed control humps in Cuddlesdon way cowley, oxford
departament of the Envioronment, 1978 (TRRL SR 350)
- SUMMER R. & BAGULEY C. Speed control humps in Norwich and Haringey
Departament of Enviorament, 1978 (TRRL SR 423)
- WATTS G.R. Road humps for the control of vehiche speeds Departament
of enviorament, 1973 (TRRL LR 597)
Consultoria Técnica: Engº Laszlo Urmeny |