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2.1 Objetivo
A Pesquisa Origem e Destino tem por objetivo o levantamento do
volume e das características atuais dos deslocamentos realizados
pela população em suas atividades diárias, em uma aglomeração
urbana. Esse levantamento procura estabelecer relações quantitativas
entre as viagens realizadas e diversas outras variáveis, como
características sócio-econômicas, aspectos físicos e urbanos da
ocupação, de forma a estabelecer projeções futuras para os desejos
de deslocamentos da população.
2.2 Conceitos Básicos
A área de estudo em uma Pesquisa Origem e Destino corresponde à área
geográfica considerada de interesse para o desenvolvimento de plano
ou projeto de transporte.
A área de. realização da pesquisa é uma área menor ou igual à área
de estudo, estando sempre contida nela. A linha imaginária que a
delimita é chamada de "Linha de Contorno". (Fig.1)
TIPOS DE VIAGENS
1 Internas - são aquelas em que os dois extremos situam-se no
interior da área de pesquisa.
2 Externas - são aquelas em que só um dos extremos situa-se dentro
da área de pesquisa.
3 Através - são aquelas que possuem os dois extremos fora da área de
pesquisa, porém a atravessam, influindo portanto, na circulação.
O levantamento dos dados ocorre na área de pesquisa, porque os
grandes fluxos de tráfego estão aí contidos. Ele é realizado através
de amostras representativas porque, seria caro e demorado levantar
dados para todo o universo.
A área a ser pesquisada deve ser subdividida em zonas de tráfego,
que formam a unidade-base de análise dos deslocamentos da população.
Essas zonas são obtidas dividindo-se a área de pesquisa em unidades
menores segundo critérios que consideram o sistema de transporte e
características homogêneas no uso e ocupação do solo.
Dois são os instrumentos básicos da Pesquisa O/D: Pesquisa
Domiciliar e a Pesquisa na Linha de Contorno.
O levantamento dos dados sobre as viagens internas é feito através
da Pesquisa Domiciliar, e sobre as viagens externas, ou as que
atravessam a área de pesquisa, é feito através da Pesquisa na Linha
de Contorno.
2.2.1 Pesquisa Domiciliar
As Pesquisas Domiciliares são realizadas em um conjunto determinado
de domicílios escolhidos por amostragem. Em termos práticos,
adota-se como unidade amostral o domicílio, a partir do qual obtemos
o número de viagens realizadas pelos moradores.
A Pesquisa Domiciliar é realizada submetendo-se todos os moradores
do domicílio a um questionário, onde se procura levantar as
características dos deslocamentos realizados no dia imediatamente
anterior ao dia da pesquisa. A intenção com isso é obter informações
objetivas com menor esforço de memória.
Através da entrevista com os moradores do domicílio sorteado, tem-se
uma amostra aleatória de indivíduos e das viagens realizadas.
A Pesquisa Origem e Destino ao proceder o levantamento e a
caracterização das viagens tende a utilizar um questionário extenso.
Uma vez que a qualidade das respostas decai com o número de
perguntas, por fadiga do entrevistado e do entrevistador, deve-se
evitar qualquer tentativa de se utilizar uma Pesquisa O/D para obter
informações com outras finalidades ou sem utilidade perfeitamente
garantida.
2.2.2 O Questionário
O questionário deve abranger basicamente as seguintes informações
sobre as viagens:
Identificação da pessoa que realizou a viagem, e de sua unidade
domiciliar
· Identificação da viagem realizada
· Endereços da origem e do destino
· Horário e duração
· Motivos na origem e no destino Modo (a pé, ônibus, trem, etc)
Visando obter informações sócio-econômicas, deve-se determinar as
características dos domicílios e das famílias pesquisadas,
considerando os seguintes dados:
Número de famílias residentes no domicílio
· Número de. pessoas que habitam a unidade residencial
· Número de carros por família
· Identificação de cada morador
· Renda de cada morador
· Ocupação profissional dos moradores
Além dessas informações são indispensáveis os levantamentos dos
locais de trabalho e de escola dos moradores.
As variáveis pesquisadas na amostra são expandidas para obtenção do
universo considerado.
2.2.3 Linha de Aferição
As informações sobre viagens obtidas pela Pesquisa Domiciliar podem
ser aferidas por intermédio de uma pesquisa complementar denominada
Pesquisa na Linha de Aferição ("screen-line"), através de' contagens
de volumes em linhas imaginárias que cortam a área de pesquisa; e
que em geral, situam-se numa barreira física, como rio ou estrada de
ferro, onde se tem pontos bem definidos para seu cruzamento.
Nessa pesquisa, divide-se a área de pesquisa em grandes bolsões e
verificam-se os fluxos que cruzam os pontos determinados. A contagem
pode ser de volume de pessoas ou de veículos, classificados por
modo, horário ou ainda por motivos. Neste último caso, é necessário
realizar entrevistas com os ocupantes dos veículos.
2.2.4 Pesquisa na Linha de Contorno
A Pesquisa na Linha de Contorno deve ser efetuada nos principais
pontos de entrada e saída da área de pesquisa, ou seja, nos
cruzamentos da Linha de C6ntorno com as grandes vias de circulação
(estradas de ferro e de rodagem).
Esse tipo de pesquisa objetiva determinar o padrão das viagens
externas à área de pesquisa, através do conhecimento do volume e das
informações sobre, origem e destino das viagens, que cruzam a linha
de contorno.
Dessa forma, o questionário abrange essencialmente informações
referentes à viagem que está sendo 1 realizada no momento dei
entrevista, como:
Endereços de origem e destino
· Motivos na origem e no destino
· Modo da viagem
· Horário da entrevista
Os fatores de expansão são calculados utilizando-se contagens de
volumes de veículos efetuadas simultaneamente à pesquisa.
2.3 As Etapas da Pesquisa Origem e Destino
A Pesquisa O/D compreende basicamente três fases distintas:
Planejamento
· Coleta de Informações
· Tratamento dos dados obtidos
2.3.1 Planejamento
A fase de planejamento da pesquisa compreende uma série de
atividades consecutivas, a saber: definição das áreas de estudo e
pesquisa, definição das zonas de tráfego, preparação das bases
cartográficas, desenvolvimento do plano amostral (forma de seleção
da amostra e operacionalização da pesquisa), dimensionamento e
sorteio da amostra, elaboração dos questionários a serem utilizados
nas entrevistas, treinamento dos pesquisadores e divulgação da
realização da pesquisa à população através de campanhas.
Nessa fase, estabelecem-se os critérios amostrais visando obter
estimativas com precisões predeterminadas para as informações
pesquisadas nas zonas de tráfego.
No caso da Pesquisa Domiciliar, uma vez estabelecidos os critérios
amostrais, faz-se necessário recorrer a cadastros confiáveis para a
seleção da amostra composta pelos- domicílios da área pesquisada.
Com relação ao tamanho da amostra, comumente são encontradas tabelas
que relacionam seu tamanho em função da população das cidades. A
esse respeito deve-se enfatizar que essas tabelas são apenas
indicativas e que. o tamanho da amostra é diretamente proporcional
ao número de zonas em que a área de pesquisa foi dividida, e não
necessariamente dependente do tamanho da população.
Nesse sentido, o correto dimensionamento da amostra deve estar sob
responsabilidade de um estatístico.
2.3.2 Coleta de Informações
Compreende a fase de aplicação dos questionários nos domicílios
sorteados e nos postos de pesquisa da linha de contorno.
2.3.3 Tratamento dos dados obtidos
A fase de tratamento dos dados é aquela em que, de posse das
informações levantadas, procede-se à sua análise e processamento:
Sua consistência e ajustes fornecerão as tabulações básicas dos
dados solicitados.
As informações obtidas pela Pesquisa O/D devem ser expandidas,
ordenadas e analisadas com o propósito de estabelecer relações
básicas das variáveis de análise e projetar tendências de alteração
dessas relações em um aglomerado urbano.
2.4 Produto: A Matriz de Origem e Destino
Os resultados das tabulações são agrupados pelas respectivas zonas
de origem e destino e expandidos em função do total de população de
cada zona.
Obtem-se aí a matriz O/D, que apresenta as. viagens entre pares de
zonas.
Podem também ser obtidas matrizes por motivo de viagem, por modo de
transporte utilizado ou totais de viagem.
2.5 Usos da Pesquisa O/D
Pela grande quantidade de informações coletadas através da Pesquisa
O/D, é possível utilizá-las não só no âmbito do planejamento e
projetos de transporte, mas também em diversas outras áreas.
Na Companhia do Metropolitano de São Paulo, elas serviram de base
para calibração da rede de simulação de transporte; para projeções
de demanda de viagens; para estudos de expansão da rede de metrô e
para planejamento de transporte metropolitano.
A Pesquisa O/D também é utilizada por outros órgãos da
administração, em estudos e projetos que se refiram às
características sócio-econômicas da população; em planos
urbanísticos, como Planos Diretor de Municípios; em estudos de
localização e dimensionamento de equipamentos e serviços urbanos; em
estudos e projetos de tráfego, bem como para inúmeros projetos onde
se fazem necessárias informações dessa natureza.
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