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Trafficcalming.com.br
Gestão de
Amenização
de Tráfego e Sociabilização
MARACUJÁ - (n.c. Pacifloraceae edulis
sims) passiflora / passion fruit
Indicado para tranqúilizar pessoas. Especialmente os
usuários motorizados de vias estritamente residenciais. |
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CAMOMILA - (n.c. Matricaria chamomila)
em infusão
Possui propriedades sedativas e analgésicas - indicado para
acalmar os nervos de moradores inconformados de áreas
residenciais sujeitas ao tráfego de passagem. |
AMENIZAÇÃO DE TRÁFEGO - (n.T.
Traffic calming)
Indicado para melhoria da qualidade de vida em áreas
residenciais. Bem aplicado, com critério, consciência e
apoio da comunidade, estimula os sentidos de bem-comum,
civilidade e cidadania. |
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Vida e
mortes das grandes cidades

Jane Jacobs |
Mais importante do que a
polícia, para garantir a segurança de determinada rua,
bairro ou distrito, por exemplo, é o trânsito ininterrupto
de usuários, além da existência do que a autora chama de
“proprietários naturais da rua”. Donos de padarias,
mercearias, lojas, pequenos serviços, são os muitos “olhos
atentos” , mais eficazes do que a iluminação pública.
Trata-se da “figura pública autonomeada”, a quem os
moradores podem recorrer para deixar um recado, uma chave,
uma encomenda. A vida pública informal impulsiona a vida
pública formal e associativa. Algumas pessoas acumulam
relações e conhecimento, elas são únicas. A autogestão
democrática é que garante o sucesso dos bairros e distritos
que apresentam maior vitalidade e segurança. Isso significa
a permanência de pessoas que forjaram uma rede de relações:
“Essas redes são o capital social urbano insubstituível”.
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Equívocos Técnicos
A
opção histórica dos planos de diretrizes viárias do município de São
Paulo pelo privilégio do transporte individual vem tornando cada vez
mais disputados os espaços destinados à circulação geral de
veículos, com inúmeros reflexos sobre a qualidade de vida dos
grandes centros urbanos.
A
demanda por espaço de circulação torna-se elástica ao ponto de
saturar ampliações, e adequações de corredores de macrodeslocamento
na medida instantânea de suas implantações, forçando o tráfego ao
permeio de viários não estruturais, antes coletores e mesmo locais,
que acabam por assumir características de operação alheias à sua
vocação natural, à função intrínseca e, por vezes, carregamentos
superiores à capacidade projetada, em picos de afluência caso
específico de áreas de ocupação residencial intersticiais entre
corredores viários estruturais ou próximas de grandes pólos
geradores de tráfego.
Fora
dos picos, a habitualidade de uso e operação funcional imprópria das
vias locais e coletoras, dublês de estruturais, acaba elevando as
velocidades médias desenvolvidas naqueles segmentos (especialmente
nos residenciais, desprovidos de dispositivos de controle de acesso)
e, conseqüentemente, a ocorrência de acidentes provocados pelas
diferenças de velocidades praticadas entre os deslocamentos de
ligação interestruturais e os de veículos em acesso aos lotes
lindeiros, ou por limitações geométricas.
Essa
habitualidade pode, inclusive, funcionar como agente indutor de uso
e ocupação do solo, atraindo segmentos de atividade terciária e
consolidando pólos de serviços em zonas de características
residenciais, causando progressiva erosão do tecido urbano e da
qualidade ambiental.
Quanto às limitações geométricas e interferentes inerentes aos
viários estritamente residenciais (paisagismo exuberante,
estacionamento informal ao longo da via, entradas e saídas de
veículos em residências, pedestres, ciclistas, animais), pode-se
afirmar que são perfeitamente correspondentes às características
mais desejáveis para sítios de habitação humana - baixas velocidades
e níveis de serviço reduzidos leia-se silêncio e tranqüilidade e
absolutamente incompatíveis com o fluxo adequado de tráfego de
passagem ou complemento de rotas essenciais.
A OPÇÃO CIDADÃ
Logo,
é natural que comunidades organizadas, sensibilizadas, bem
informadas e cidadãs procurem a reivindicação da preservação desse
espaço vital doméstico. Não pela via do “enclausuramento” ou criação
de bolsões herméticos e artificiais que cedo ou tarde apresentam
pesadas faturas aos “condôminos” pelo próprio exílio voluntário da
metrópole, em termos de segurança e serviços de emergência mas pela
compreensão do papel de seu bairro no contexto do município e das
principais relações de tráfego na região, propondo soluções de
equilíbrio entre a qualidade de vida e as necessidades de locomoção
e circulação de bens e pessoas na cidade.
O TRÂNSITO DE PASSAGEM PEDE LICENÇA
Esse
equilíbrio fundamental e o interesse coletivo foram os norteadores
da escolha, pelo “DEFENDA SÃO PAULO”, de medidas de amenização de
tráfego viário local (traffic calming) de baixo impacto para a
composição das propostas aqui apresentadas, preferencialmente ao
recurso extremo e restritivo de emprego de dispositivos como os
previstos na Lei 12.138, de 05 de Julho de 1996.
A
idéia evoluiu do polêmico conceito de “bolsão residencial” que
havia até sido aprovado em 1999 para o emprego de soluções técnicas
mais modernas e adequadas.
Ao
contrário, não se pretende “ impermeabilizar “ a malha viária
capilar dos bairros residenciais e comerciais domésticos, de todo o
fluxo de tráfego de passagem interferente, sem compromisso com o
bairro, mas advertir e conscientizar, não apenas os condutores de
passagem, mas os próprios moradores, através das intervenções de
amenização, acerca das características próprias de trânsito local e
de acesso residencial do bairro.
Deve
ficar claro ao motorista morador ou não que cruza ou entra em Vila
Inah, que se trata de uma área de convívio social, onde se anda
devagar, onde brincam crianças, caminham pedestres e joggers, onde
vizinhos se encontram, pratica-se ciclismo, preserva-se as áreas
verdes, moram cidadãos.
Uma
área de trânsito tranqüilo.
Vizinhança solidária Sociedade influente
Segundo Celson Ferrari, no ensaio Polinucleação e Escalonamento
Urbano ( in Planejamento Urbano), a Sociologia distngue dois grupos
humanos básicos: primário ou comunidade e secundário ou sociedade.
(...) O primeiro caracteriza-se por intenso grau de cooperação e
associação, através de contatos desinteressados e íntimos, com
predominância da ordem moral sobre a ordem técnica em sua
organização e forte controle social dos grupos familiar e de
vizinhança sobre o indivíduo, ressaltando-se a homogeneidade
cultural entre seus componentes e um gênero de vida característico.
Já o grupo secundário é um aglomerado social cujos componentes se
associam em virtude de interesses comuns, observando-se que os
contatos entre pessoas tornam-se interessados, instrumentais e
impessoais (indiretos, muitas vezes). A ordem técnica predomina
sobre a moral em sua organização, havendo racionalização de atitudes
e secularização das instituições. A família e o grupo vicinal
perdem seu controle sobre o indivíduo, que passa a se sentir
desamparado e anônimo, esixtindo heterogeneidade cultural entre seus
componentes (...)
O grande desafio para a consecução e implantação de uma proposta que
represente o ideal coletivo de 600 famílias é a introjeção de
valores próprios às comunidades primárias, “derrubando” muros e
estabelecendo uma relação homeostática de consenso e
comprometimento mútuo dentro dos limites de representação da
Associação. Uma vez consolidada a unidade comunitária, faze-la
atuar como unidade social organizada representa etapa natural.
O
projeto “COMUNIDADES PROTEGIDAS” - Gerenciamento de Amenização
de Tráfego e Sociabilização - sempre teve como objetivo primário, a
preservação das qualidades residenciais do bairro, estancando o
processo de degradação desencadeado pela utilização de seu sistema
viário para circulação alternativa (e habitual) de rotas de tráfego
essencial de média e longa distância, em velocidade e volume
incompatíveis com as características consolidadas de uso e ocupação
do solo na região.
A
preocupação dos moradores estende-se à possibilidade de alterações
de zoneamento nas regiões mais afetadas pelo trânsito de passagem,
que uma vez desqualificadas e desvalorizadas para uso residencial
poderiam ter reivindicado seu “potencial comercial”, alterando
definitivamente o perfil do bairro e seu status quo.
A
propostas iniciais, referendada pela população e aprovada em
primeira instância junto ao Poder Público Municipal foi pela criação
de um bolsão residencial, com respaldo na Lei Municipal nº. 11.322,
de 22/12/1992. Essa era então a matéria de encaminhamento, até que
se iniciou a discussão sobre as principais desvantagens desse tipo
de intervenção (restrição ao acesso de veículos policiais e
engajados em missões de emergência, “enclausuramento” do bairro e
conseqüente privação dos direitos de circulação dos munícipes).
A busca do equilibrio
O
movimento ”DEFENDA SÃO PAULO” entende a importância da garantia de
mobilidade e permeabilidade do viário local sob condições especiais
de velocidade, carregamento e “comportamento” dos usuários não
comprometidos com o bairro, em circulação esporádica ou emergencial,
bem como o próprio papel do bairro na organização sistêmica dos
fluxos da metrópole. Para isto, a resposta foi encontrada na
instrumentalização das práticas de traffic calming, com objetivos
mais amenos e menos egoístas, de desestímulo do uso das vias de Vila
Inah como atalhos e obstaculização da prática de alta velocidade.
Nada de bloqueios, mas advertências sutis, identidade e
personalidade comunitária. A busca do equilíbrio entre fluidez do
trânsito e respeito às características residenciais da vizinhança.
Nessa
busca de identidade comunitária, vem-se buscando a formação de
opiniões consensuadas entre comunidade residente, principalmente
quanto à sua predisposição em “andar um pouco mais para chegar em
casa” - o preço da tranqüilidade.
Arcata o exemplo
Americano |